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Terapia Cognitivo-Comportamental
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Terapia Cognitiva no Trato da Depressão

De acordo com Leahy (2003), a Terapia Cognitiva da depressão surge como uma estratégia na modificação de crenças e comportamentos os quais influenciam nos estados de humor do indivíduo. Sua aplicação é dividida em três modos de ação, o primeiro concentra seu foco nos pensamentos automáticos e esquemas causadores de depressão, o segundo foca o modo interpessoal de relacionamento do paciente e o terceiro permite a possibilidade de mudança de comportamentos como forma de melhor solucionar a situação problema.

A Terapia Cognitiva apresenta como vantagem, segundo Beck (1995), a promoção de participação ativa do sujeito em seu tratamento, o tornando apto a identificar suas distorções na percepção do mundo, no reconhecimento dos pensamentos negativos como forma de aquisição de pensamentos alternativos os quais se assemelham mais com o real, encontrar a ideia base da sustentação dos pensamentos desagradáveis e dos alternativos e realizar a reestruturação cognitiva propriamente, através da geração de pensamentos mais adequados e reais em relação ao contexto ou à situação. Para Leahy (2003), a TC se baseia na importância do pensamento relacionado ao real, na realidade do mundo e dos fatos. Dessa forma, este recurso promove no paciente a capacidade de distinguir crenças verdadeiras das não verdadeiras em relação aos fatos, bem como o auxilia a julgá-los de forma realista, atenuando idéias depressivas.

Em relação a aspectos comportamentais, segundo a teoria de Lewinsohn (1974), a aprendizagem social e o reforço positivo são responsáveis pelo princípio e pela perseveração dos estados depressivos, ou seja, a depressão decorre do fato do paciente experienciar a ausência ou diminuição do reforço do mundo exterior, há rebaixamento do reforço positivo e/ou há experiências aversivas em excesso, o sujeito passa a se retrair quando exposto a atividades positivas, havendo diminuição do reforçamento. Dessa forma, o terapeuta deve motivá-lo a desenvolver atividades de reforço bem como a realização de interações sociais. Tais estratégias devem ser executadas de modo flexível, estarem voltadas unicamente ao paciente com o intuito de o envolver e lhe proporcionar enfraquecimento dos sintomas.

Dentre as estratégias, de acordo com Lewinsohn (1975), há programação das atividades a serem cumpridas, o sujeito registra suas tarefas a cada hora ao longo dos dias. Tais registros devem ser feitos de acordo com a possibilidade, com o intuito de se evitar possíveis distorções provenientes do humor depressivo ou de prejuízos na memória. O agendamento é  utilizado para monitorar as atividades, é feito como possibilidade de se fazer correções ante à eventual visão distorcida do paciente ao pensar como está realizando a tarefa no momento e para se avaliar as programações por ele executadas relacionadas ao domínio e ao prazer. O processo de agendamento serve, portanto, para se programar fazeres prazerosos bem como produtivos e para a identificação de afetos muito positivos ou muito negativos quando na execução de tais fazeres, permite fazer um panorama do funcionamento do paciente. Sendo assim, o ato de agendar atividades é uma técnica utilizada para se fazer um planejamento de exercícios comportamentais e registro de resultados. Estando as tarefas já decididas, isto garante ao paciente administração sobre seu tempo, reconhecimento de seus esforços pelo fato de estar realizando as atividades e registro de suas ações verdadeiramente executadas. Esta técnica garante significativo apoio a indivíduos cujo tratamento seja farmacológico, pois permite apontar os efeitos colaterais da medicação bem como as tarefas realizadas e as possíveis variações nos sintomas. Conforme Beck et al (1979), este modo de intervir pode ilustrar a interface entre sintomas depressivos com a escassez de comportamentos positivos e, portanto, capacitar o indivíduo quanto à resolução de problemas através de estímulos comportamentais.

De acordo com Powell et al (2008), habilidades insuficientes podem ser reconhecidas como predispositoras no desenvolvimento da depressão, ou seja, diante de uma dificuldade em relacionamentos interpessoais, o indivíduo não manifestará resposta a um reforço positivo. Para Beck e demais pesquisadores, além da desvantagem do sujeito em relação ao reforço positivo, seus sintomas aumentam devido às avaliações cognitivas e conclusões falhas quanto a falta deste reforço. Segundo Sudak (2006), o paciente, através do terapeuta, pode detectar o quanto seu pensamento é distorcido e impreciso, causador de emoções e comportamentos disfuncionais. Este reconhecimento por parte do indivíduo permite um avanço em seu tratamento, conseguido tanto por meios cognitivos como comportamentais em direção à resolução do problema. 

Passos necessários para uma remodelação cognitiva

Para Beck (1995), nas seções de Terapia Cognitiva, o terapeuta capacitará o paciente a reconhecer as crenças disfuncionais, as distorções cognitivas comuns bem como os pensamentos automáticos, reações fisiológicas, emocionais e comportamentais resultantes dos pensamentos, possíveis comportamentos realizado no enfrentamento das crenças disfuncionais e como os fatos anteriores têm influenciado na permanência das crenças do paciente. Feito isto, uma vez comprovado reconhecimento pelo sujeito dos fatores desencadeadores do comportamento depressivo, fazer-se-ão sessões intermediárias com a utilização de técnicas que o possibilitem trabalhar seus sintomas.

A técnica de evocação de pensamentos e pressupostos consiste em despertar no paciente a identificação de seus pensamentos, bem como o modo como estes influenciam as emoções e comportamentos. Uma vez que o objetivo da TC no trato do Episódio Depressivo Maior é tornar o indivíduo ativo em seu próprio tratamento, as técnicas cognitivas devem ajudá-lo a atingir as metas da terapia e não lhe causarem dependência. Dessa forma, o sujeito deve ser motivado a combater seus episódios depressivos sem a necessidade da intervenção do terapeuta, pois isto o estimula a desenvolver habilidades de enfrentamento (Beck, 1979).

A explicação do processo pelo qual os pensamentos geram sentimentos é outra técnica na qual a pessoa é incentivada a identificar pensamentos e os sentimentos deles provenientes. Isto pode ser fonte de dificuldades para o paciente num primeiro momento, então o terapeuta irá ajudá-lo na execução desta técnica (Leahy, 2003).

Quanto ao registro de pensamentos disfuncionais, objetiva o sujeito a anotar num diário o evento experimentado e o pensamento gerado por este evento. Numa coluna adicional, são registradas notas referentes à intensidade como o paciente acredita que seus pensamentos sejam verdadeiros. Este procedimento permitirá ao indivíduo a identificar pensamentos automáticos disfuncionais. Em seguida, é pedido à pessoa reconhecer a emoção e sua intensidade, numa escala de 0 a 10 ou 0 a 100 (Beck, 1979). Quanto a marcação dos pensamentos, há necessidade de se fazer uma coluna de evidências e outra para despertar o pensamento alternativo relacionado ao contexto. Ao final o paciente é levado a quantificar o quanto o novo pensamento lhe desperta crédito, bem como o quão intensa é a emoção (Padesky e Greenberger, 1995).

Conforme Powell et al (2008), o registro de pensamentos com base no processo (RPBP) é feita por sete colunas, sendo elas: seta descendente (Burns, 1980), exame das evidências (Leahy, 2003), técnica do advogado de defesa ou ponto-contra-ponto (Freeman e DeWolf, 1992), seta ascendente (De-Oliveira,2007), desenvolvimento de esquemas mais positivos (Leahy, 2003) e o diário de afirmações positivas (Beck, 1995). O RPBP atua para desestruturar pensamentos negativos de pacientes deprimidos através da consciência de suas crenças nucleares em relação a si mesmos (autoacusações) e assim motivá-los a investirem em um processo mais construtivo, com o desenvolvimento de crenças nucleares mais positivas.

De acordo com Burns (1980), há situações nas quais o pensamento automático negativo se mostra verdadeiro no sujeito, ele se sente verdadeiramente rejeitado ou inapto para determinada função. Deve-se então identificar as crenças subjacentes potencializadoras do pensamento, elas deverão ser questionadas por meio do método socrático de questionamento, ou seja, aplicação da técnica da seta descendente. Tal procedimento permite à pessoa aquisição de um raciocínio autônomo, apto a questionar evidências e a criar avaliações alternativas. Ao despotencializar as crenças, há redução dos sentimentos de medo, desmotivação ou tristeza, o método da seta descendente é, portanto, muito eficaz no combate a crenças mantenedoras do quadro depressivo.

 Extensão do tratamento, diminuição dos sintomas e estratégias para evitar recaídas

Para Blenkiron (1999), mesmo havendo pacientes cujo tratamento com Terapia Cognitiva deva ser feito através de grande número de sessões, a prioridade do recurso terapêutico reside no fato da possibilidade de ser executado em curto prazo, com variação de 6 a 20 sessões.

As sessões, quando estruturadas, permitem ao sujeito desenvolver um senso de controle pessoal, com a aquisição de técnicas para se tornarem seus próprios terapeutas e consequentemente reduzirem seu tempo de terapia.

De acordo com Byrne e Rothschild (1998), indivíduos com transtornos de personalidade levam um tempo maior em terapia, até aproximadamente 12 meses. Quanto à tendência ao abandono do tratamento pelo paciente, o terapeuta deve se atentar ao processo de adesão deste paciente e evitar que a desistência aconteça, pois o sujeito, ao abrir mão precocemente de frequentar as sessões após haver melhora dos primeiros sintomas, estará propenso a retrocessos dos mesmos.

Ao nos referirmos às sessões finais de terapia, conforme Powell et al (2008), estas permitem um balanço dos ganhos obtidos pelo paciente, e a ênfase na importância da prevenção de recaídas. Uma vez que haja melhora dos sintomas, isto permite ao indivíduo enfrentar novas situações de perdas e se adaptar a possíveis situações-problema. É necessário, no processo de finalização da terapia bem como em seu início, destacar à pessoa a limitação de tempo do tratamento, deixar claro o fato do processo terapêutico estar relacionado com a identificação dos pensamentos, seus questionamentos e reestruturação assim como no aumento da autoconfiança por meio de eventuais ganhos obtidos por este paciente ao longo do tempo e capacitá-lo a exercer um papel ativo em sua própria cura. É importante o indivíduo estar habilitado a reagir quanto ao reaparecimento dos sintomas, uma vez que suas reincidências e implicações aumentam a possibilidade de recaídas. De acordo com Deckrsbach, Gershuny e Otto (2000), é necessária a aprendizagem do sujeito em se tornar seu próprio terapeuta, estando apto a enfrentar possível retorno dos sintomas, sendo este aprendizado evidenciado e enfatizado nas sessões finais.

Conforme Fava et al (1998), a reincidência de sintomas depressivos quando na administração por antidepressivos é fato comum e varia em uma taxa entre 9 e 57%. Deve-se então atentar para a eficácia da Terapia Cognitiva na prevenção da depressão recorrente em comparação à intervenção apenas farmacológica. Porém, tais autores reconhecem também a importância da associação do tratamento cognitivo com o investimento medicamentoso na redução das recaídas.

Segundo Powell et al (2008), em um estudo realizado na presença de 40 pacientes, os indivíduos com depressão maior reincidente tratados com sucesso por antidepressivos foram segregados em dois grupos, em um foi feita a aplicação de técnicas da Terapia Cognitiva dos sintomas residuais e em outro manejo clínico convencional. Ao final de 20 semanas de tratamento, em ambos os grupos, foi feita a interrupção do manejo de antidepressivos. No decorrer de dois anos, não foi feita nenhuma administração medicamentosa. Ao final do estudo, o grupo submetido a procedimentos cognitivos manifestou visível redução de sintomas residuais em comparação ao grupo assistido por tratamento clínico convencional. Em relação à taxa de recaída, a aplicação da Terapia Cognitiva atingiu apenas 25%, enquanto a recaída no grupo administrado por manejo clínico foi de 80%.

Houve um estudo cuja conclusão mostrou que os efeitos da Terapia Cognitiva alcançam até quatro anos, sofrendo posterior enfraquecimento. Porém, segundo Fava et al (1996), esta terapia cognitiva de sintomas recorrentes pode promover diminuição da frequência de episódios de depressão maior por longo período. Estes resultados questionam o fato de o tratamento farmacológico prolongado ser único quanto à prevenção de recaídas  em pacientes com depressão recorrente.

De acordo com Teasdale et al (2002), há possibilidade do paciente prever cognitivamente as recaídas através da “consciência metacognitiva”(CM), cujo processo permite ao invés de se modificarem as crenças disfuncionais, considerar os pensamentos e sentimentos negativos do Episódio Depressivo Maior como manifestações mentais e não como o expressar da realidade. Conforme haja a evolução do sujeito, surge nele a capacidade de se desprezar possíveis pensamentos negativos automáticos, hipótese esta que, apesar de permanecer em investigação, é aceita como base racional na explicação do sucesso promovido pela Terapia Cognitiva quanto a redução de recaídas.

Conclusão

Diante dos dados refletidos até então, pudemos reconhecer que a abordagem cognitiva no trato da depressão é a mais promissora no sentido de diminuir ou até mesmo eliminar os sintomas depressivos por meio de técnicas cuja principal ação é modificar pensamentos e crenças disfuncionais e excessivamente negativas no paciente, e o motivar a substituí-las por cognições alternativas mais reais e positivas em relação a visão de si mesmo, às situações vivenciadas, aos relacionamentos interpessoais e à visão de futuro. Tal recurso terapêutico, o qual poderá ser associado com antidepressivos como forma de potencializar seus benefícios, produzirá no indivíduo melhorias tanto nos aspectos comportamentais como emocionais, uma vez que o foco deste procedimento é a modificação de pensamentos e crenças distorcidas. Quanto à depressão maior, por acometer grande parcela da população mundial e ser a causa de considerável incapacitação, sua prevenção é de fundamental importância, com possibilidade de se associar, mais uma vez, o tratamento cognitivo ao farmacológico.

Autora: Psic. Laís Regina dos Santos

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Neuropsicologia
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O profissional escolhendo suas batalhas

O avanço da ciência, perseguindo o rastro da Covid-19 e as sofridas experiências pessoais que os profissionais vêm enfrentando, criam novos e complexos desafios para os neuropsicólogos. Sobre isso debateram Camila De Masi, coordenadora do curso de Neuropsicologia do CETCC e o professor Luan Carvalho, especialista em Neuropsicologia pela faculdade de Medicina da USP, na Live “TCC e Neuropsicologia: como avaliar e tratar dos problemas neuropsicológicos pós-covid-19?’, do evento AconteCETCC.

Os dois professores do Núcleo de Neuropsicologia do Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-comportamental -CETCC- concordaram que os profissionais da área serão crescentemente demandados pela quantidade de pessoas que estão tendo sequelas neuropsicológicas pós-Covid 19. Evocando sua experiencia pessoal, Luan Carvalho lembrou o empenho da sua mãe para pronunciar “epidemiologista”, nome que apareceu na mídia relacionado à pandemia, e disse que neuropsicólogos também serão reconhecidos no meio de um momento muito triste. Mas nossa atuação faz e fará toda a diferença”.

A coordenadora do curso de Neuropsicologia do CETCC, Camila De Masi, Mestre em Ciências pela Unifesp e especialista em Neuropsicologia pela Santa Casa de São Paulo, reforçou: “o papel do neuropsicólogo está, sim, no atendimento de pacientes, construindo conhecimento acerca disso e muito mais do que isso, levando informação, que é o que a gente está fazendo agora. Uma das nossas funções como profissional é levar informação de qualidade e de boa evidência pra que as pessoas possam tirar as suas próprias conclusões e buscar ajuda quando necessário”.

- O que podemos ver - prosseguiu Camila De Masi, não só como neuropsicólogos, mas como profissionais de saúde, é a ciência caminhando. E na história da psicologia a gente vê isso a todo momento:  as boas ideias que a gente teve como ciência, as teorias que a gente criou, as hipóteses que a gente construiu de terapia, todas elas vieram de épocas de crise, de pós-guerra. Agora vivemos uma situação grave, mas tem este lado positivo de estarmos participando de um momento protagonista, envolvidos, lendo, estudando. Mas é um cenário de muitas incertezas. O que eu estou falando aqui é uma informação de hoje; amanhã pode não estar mais valendo. E com este nicho de pacientes isso não é diferente também. O que ajuda é que temos uma certa experiência com quadros infecciosos que acometem o sistema nervoso central, causados por outras doenças. 

Sobre o assunto, Luan Carvalho criou um cenário: “Estamos falando de Ciência aqui, tá?  Seria maravilhoso falar que cloroquina funciona. Mas temos evidências de que não funciona. Grande parte das pessoas que nos assiste procura formação, especialização em Terapia Cognitivo-comportamental, em que nós temos a preocupação de fornecer ao nosso paciente uma prática baseada em evidências. Vamos supor que alguém da família tenha um problema nos rins. Neste exemplo, você gostaria que esse familiar fosse atendido por um médico que lê artigos, que está atualizado sobre as últimas hipóteses, que faz uma terapêutica baseada em evidências ou alguém que tome escolhas baseadas na preferência, na própria opinião?

Depois de citar estudos que indicam que a cada quatro pacientes de síndrome respiratória aguda, um vai desenvolver sequelas cognitivas mais importantes e duradouras, Camila De Masi revelou algo que observou: “Há um dano secundário aí, o dano social e psicológico dessa história toda, do isolamento, das mudanças tão intensas em nossas vidas. Nos últimos quinze dias eu ouvi três histórias de adulto jovem, de 20 a 25 anos que tentaram suicídio. Suicídio não algo que a gente escuta falar todo dia, mesmo quem está na prática.”

O professor Luan Carvalho contou que a recuperação de uma doença como a COVID é muito dolorosa. As evidências apontam para uma onda de depressão, ansiedade e transtorno do estresse pós-traumático, não só pra pessoa que passou por tudo isso, mas como pra família”

O distanciamento causado pela pandemia traz grandes problemas para os profissionais de saúde e na neuropsicologia o quadro é mais desafiador, como conta Camila de Masi: “A gente tomou um ‘sustão” quando entrou a pandemia, porque nos demos conta de que não há métodos de trabalho para fazer avaliação neuropsicológica à distância. Tem se discutido isso mundialmente, o Brasil tem feito alguns esforços, mas de verdade a gente ainda não tem condição metodológica nem de tecnologia para fazer uma avaliação neuropsicológica à distância, sendo uma das nossas metas atuais sistematizar isso”.

E prevê um crescimento da demanda na área: “Ultrapassado esse desafio, se a neuropsicologia já era uma ciência e uma área de atuação dentro da psicologia que vinha crescendo, vai crescer ainda mais. Partindo da minha prática, tenho tido pedidos de avaliação neuropsicológica praticamente todos os dias e não estou atendendo presencialmente neste momento. Vamos precisar de profissionais capacitados. E não é com qualquer formação, qualquer cursinho que poderá atuar. O trabalho de reabilitação é muito intuitivo. A gente tem alguns protocolos, tem técnicas, mas por ser muito individualizado, tem uma coisa muito da expertise do profissional. Por isso acho que diminui um pouco a disponibilidade de gente trabalhando”.

Luan Carvalho mostrou mais sobre a situação dos profissionais: “Quando olhamos para um problema como esse, que é tão fora do que a gente consegue controlar, a perna treme. Quem não sentiu medo, não ficou preocupado, não deu umas choradinhas, quem não ficou de saco cheio em algum momento nesse período, aí é que está estranho”.

Falando sobre a atuação do profissional de saúde mental em tempos de pandemia, enfrentando casos com carências básicas, ele sugeriu: “É muito importante a gente conseguir escolher nossas batalhas e ter uma batalha por vez. Porque quando a gente olha pra tudo isso, fica difícil resolver. Mas se hoje a gente conseguir resolver meio por cento desse problemão, amanhã talvez a gente consiga resolver mais meio por cento e aí, de ontem pra hoje já foi 1%;  aí amanhã a gente continua um pouquinho, mais meio por cento, depois 0.10%. Primeiro deixar a pessoa em segurança. Aí a gente vai colocar no papel tudo que tá ruim e vemos quais batalhas valem a pena a gente brigar. Nem o melhor boxeador do mundo consegue estar em dois ringues ao mesmo tempo. O campeão olímpico não está em duas piscinas nadando ao mesmo tempo. É um desafio. Acho que autocompaixão vem um pouco pra gente pegar mais leve conosco, rever os hábitos. Temos uma oportunidade de uma vida mais significativa, de reatualizar a lista dos sonhos, a lista de prioridades. Esse caos também pode mostrar pra gente uma outra forma de viver. Não quero glamourizar, mas acho que tem uma parcela que sofre e que tem a oportunidade de ressignificar a vida a partir disso”.


Encontre muito mais informação nas lives de março do AconteCETCC em:

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Neuropsicologia
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O funcionamento do nosso cérebro não é mais o mesmo

- O vírus é muito poderoso e ataca nosso corpo em diferentes áreas. O nosso cérebro é muito sensível e pode sofrer prejuízos, mesmo depois do quadro de Covid ter cessado. Então o funcionamento do cérebro da pessoa não é mais o mesmo de antes. Isso é muito sério porque a gente depende das nossas capacidades mentais pra absolutamente tudo. 

Traçando este quadro preocupante, o professor do CETCC - Centro de Estudos em Terapias Cognitivo-comportamentais Luan Carvalho abriu a live “TCC e Neuropsicologia: como avaliar e tratar dos problemas neuropsicológicos pós Covid-19?”, parte do evento AconteCETCC.  Especialista pela Faculdade de Medicina da USP e com aprimoramento pelo Beck Institute, chamou a atenção para a dinâmica das descobertas sobre as ações do vírus: “um ano atrás, a ideia de prejuízo da Covid era falta de ar, uma moleza, febre. Mas isso era antigamente” ironizou.

A coordenadora do curso de Neuropsicologia do CETCC, Camila De Masi detalhou a trilha dos conhecimentos da área no período da pandemia: “No começo a gente achava que a principal questão da doença fosse a hipóxia, a ausência de oxigênio disponível ali no corpo. Principalmente a hipóxia silenciosa, em que os pacientes não sentem, num primeiro momento, a falta de ar, têm uma dessaturação de oxigênio muito importante e isso seria uma das causas do dano neurológico e dos prováveis impactos neuropsicológicos nas funções”

- Numa outra hipótese – prosseguiu - alguns estudos apontam que o vírus está presente lá no cérebro dos pacientes mesmo pós-morte, com casos de uma infecção do sistema nervoso central, além de uma provável morte neuronal induzida pelo vírus. Aí a gente tem um quadro diferente, muito provavelmente com sequelas diferentes daqueles pacientes que sofreram só a hipóxia.

Além destas duas vias prováveis de danos, acrescentou Camila de Masi, “é uma doença que traz também alterações vasculares, de fatores de coagulação. Então a gente tem uma prevalência grande neste público de pacientes que terá eventos vasculares, e aí a gente está falando de AVE, de acidentes isquêmicos, com interrupção de fluxo sanguíneo para o tecido cerebral, e prontamente a gente já tem uma mudança no funcionamento cerebral”. 

O professor Luan Carvalho detalhou em seguida algumas alterações neuropsicológicas encontradas entre pacientes graves de Covid: “dificuldade de nomear pessoas, lugares, objetos, dificuldade de manter a atenção habitual, ou a pessoa começa a perder objetos, esquecer o nome, mas não é bem aquela dificuldade de memória, é mais uma falta de organização. Essas características, são as mais relatadas nos estudos atualizados. Mas ainda não há um consenso global do nível de impacto no cérebro. Já foi identificado recentemente o vírus ainda ativo dentro do cérebro mesmo depois da pessoa já morta”. 

- A forma como o vírus pode atacar o sistema imune – prosseguiu - também varia de pessoa pra pessoa. Alguns estudos mostram uma espécie de degeneração associada com os primeiros sintomas de Parkinson, quando tem uma mudança no olfato, mudança na coordenação motora, então a pessoa não fica mais tão flexível ou tem os momentos que trava. Além dos prejuízos a curto prazo, isso causa então uma preocupação futura como aumentar a probabilidade desses pacientes desenvolverem algum tipo de doença neurovegetativa, como Parkinson, Alzheimer e assim por diante. Tem esse alerta amarelo muito claro na literatura: vamos prestar atenção nesses pacientes, porque esse cérebro foi machucado em áreas que no futuro podem evoluir pra algo mais grave. 

A mensagem dos especialistas Camila de Masi e de Luan Carvalho é lembrar o papel da Neuropsicologia, uma especialidade que caminha entre a psicologia, a psiquiatria e a neurologia, em diferentes áreas do conhecimento, cujo principal objetivo é identificar as alterações, estudar, analisar todas as possíveis intervenções, relacionadas ao funcionamento do cérebro, que possam ajudar o paciente a viver mais e melhor.. Resumindo, uma psicologia focada na avaliação e intervenção do funcionamento cerebral.


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Terapia Cognitivo-Comportamental
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Depressão e Ansiedade na pandemia: TCC se adapta à consulta online

A Terapia Cognitivo-comportamental se adaptou às características das consultas online, em meio às dificuldades da pandemia. A avaliação foi feita pela diretora Pedagógica do CETCC – Centro de Estudos de Terapia Cognitivo-comportamental, mestra Eliana Melcher Martins e pelo professor da pós-graduação em Neuropsicologia do hospital Albert Einstein, psicólogo Bruno Reis, durante uma das lives do AconteCETCC. 

Com o tema “Depressão e ansiedade também são uma pandemia? É hora de TCC”, os especialistas avaliaram a aplicação das várias técnicas e estratégias para diminuir o sofrimento dos pacientes, mas chamaram a atenção para a impropriedade de usar os recursos da TCC fora de contexto, sem a fundamentação adequada. 

A professora Eliana Martins avaliou o início da pandemia como de uma adaptação muito difícil no processo psicoterápico que vinha ocorrendo presencialmente: “Porque na terapia você tem que estar um do lado do outro, tem que acolher esse paciente, muitas vezes amparando esta pessoa. Pensávamos: como fazer isso online?”

- No ano passado os pacientes realmente sumiram, fizeram quarentena e não foram ao consultório. Aí, conforme a necessidade, foi inevitável que as pessoas, ainda deprimidas ou com algum transtorno de ansiedade, nos procurassem novamente. Elas também tiveram que se adaptar. Perceberam que podiam mexer no computador, aprender a nova técnica que foi tão difícil pra gente enquanto terapeutas quanto mais pra eles. Mas logo todos começaram a praticar e hoje todos os nossos atendimentos são online – disse ela.

Eliane Martins aponta outra vantagem: “as pessoas se dão conta de que perdiam muito tempo no trânsito, às vezes era impossível chegar na hora marcada. Acabavam procurando um profissional que estivesse mais perto de casa. Hoje no online a gente atende pessoas de outros estados, de outras cidades, de outros países. A terapia online veio facilitar”.

Ela prosseguiu dizendo que “a TCC, tem uma facilidade muito grande por conta desse “olho no olho”, dessa possibilidade de fazer a conceitualização cognitiva, quando você entende qual é a crença central, qual é a intermediária, quais são os estilos de enfrentamento que o paciente apresenta na vida. Quando você faz essa análise e promove com o paciente esse empirismo colaborativo, tudo fica muito claro e acontece um fenômeno maravilhoso, esse vínculo com essa pessoa, porque ela vai fazer aquilo que você propõe por confiar em você.  Se numa terapia online você proporciona ao paciente todos esses recursos, é óbvio que ele vai ficar com você e vai melhorar, que é o nosso objetivo maior”.

O professor Bruno Reis Bruno acrescentou que “o objetivo da TCC é que o paciente se torne o seu próprio terapeuta, estamos o tempo todo entregando as ferramentas para o paciente, descobrindo junto com ele, o que chamamos de uma “descoberta guiada”, uma técnica importante na TCC. Uma outra técnica pilar da TCC, que nos diferencia de outas abordagens, é a psicoeducação. É ensinar para o paciente sobre a abordagem da TCC, explicar para que serve aquela técnica que estamos aplicando, orientar para que ele faça em casa. No atendimento online com a TCC isso continuou sendo possível fazer. Então, a gente está sempre junto com o paciente”.

Destrinchando a técnica, a diretora pedagógica do CETCC seguiu: “Você vai explicar para o paciente o que é o transtorno, como ele se instala, de onde se originou, qual é a função dele na história daquela pessoa. Ainda existem muitos mitos sobre a depressão, transtorno de pânico, e outros males. A pessoa quando está em pânico, pensa que vai morrer, que tem um ataque cardíaco, que sofre do coração ou que vai enlouquecer. Então a gente precisa oferecer para o paciente uma explicação sobre o que são esses males e como vai ser o tratamento. Para não acontecer, não desmerecendo outras abordagens, de você chegar no consultório e o profissional ficar te olhando e você fica olhando pra ele uma hora seguida, como já aconteceu comigo, e ele não explica o que eu tenho e como será o processo de tratamento”, exemplificou

A Terapia Cognitivo-comportamental tem muitos recursos. E para a professora Eliana Martins mostra que eles são utilizados tanto durante as sessões, quanto em casa. “Estas tarefas de casa são um recurso para que a pessoa faça terapia durante toda semana, não só no dia da sessão. Ela vai ter uma atividade, uma reflexão pra fazer. Assim vai comprovando que a nova forma de pensar vai fazer toda a diferença na vida dela, melhora o humor, melhora o comportamento”. 

O professor Bruno Reis alertou que  “na TCC somos muito ricos em técnicas, tanto que pessoas de outras abordagens querem as nossas técnicas, mas descontextualizadas. Todo mundo quer saber das nossas técnicas. Mas como dizemos lá nas supervisões do CETCC, precisamos entender bem e conceitualizar bem o caso. Aí todo aquele arsenal de técnicas que se aprende nos cursos pode ser usado, vocês vão poder escolher a melhor técnica”. 

A professora Eliana reforçou a necessidade de boa conceitualização: “às vezes as pessoas precisam mudar o pensamento, outras vão precisar mudar o comportamento, outras ainda vão para resolver um problema, então a gente precisa primeiro entender o que aquela pessoa está precisando. Nossa preocupação maior é entender como é que essa pessoa vê esse mundo, vê a si mesmo, vê seus projetos de futuro, a famosa tríade cognitiva de Beck. Depois a gente pensa que técnica será utilizada. Primeiro é preciso ver o ser humano como um todo, ali na nossa frente, identificar o que ele precisa, realizar um diagnóstico que contemple essas necessidades e delinear um plano de tratamento, tanto na forma online, como na forma presencial”.


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