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Terapia Cognitivo-Comportamental
  • Administrador
  • 22/09/2020

Terapeuta, a sua terapia está em dia?

Terapeuta, a sua terapia está em dia?

Leila Sleiman


A intensa demanda de atividades, os inúmeros papeis que você desempenha e o bombardeamento de informações podem fazer você perder de vista a necessidade de cuidar de si. 

A terapia é uma forma de cuidado conosco. A sua ausência pode reverberar sobre a vida daqueles a quem dedicamos nossa atenção e cuidado.

As crenças e esquemas do terapeuta podem afetar o processo psicoterápico. Ao negligenciar isso, você coloca em risco a relação terapeuta-paciente e os resultados do seu trabalho.

Leahy (2001) compilou os principais esquemas dos terapeutas na relação terapêutica, são eles:

- Padrões rigorosos: a pessoa estabelece padrões muito altos. Exige de si a cura de todos os seus pacientes. Tem expectativas em relação aos pacientes apresentarem resultados excelentes.

- Pessoa especial, superior: o terapeuta espera que os pacientes reconheçam tudo o que ele faz. Cobra de si mesmo não se aborrecer na terapia.

- Sensibilidade à rejeição: não aborda questões desconfortáveis para o paciente, pois acredita que conflitos são perturbadores.

- Abandono: acredita que os pacientes podem se chatear a abandoná-lo. Incomoda-se muito se os pacientes param a terapia. Pensa que ficará sem pacientes.

- Autonomia: sente-se controlado pelo paciente, o qual estaria limitando a atuação do terapeuta. Este se exige de conseguir fazer aquilo que deseja.

- Controle: tem a necessidade de controlar as pessoas e seu ambiente.

- Julgador: parte do princípio de que algumas pessoas são más. Pensa que quando alguém erra deve ser punido.

- Acusação: constantemente se sente acusado e provocado. Tem dificuldade de confiar nos outros.

- Necessidade de aprovação: espera que o paciente goste dele.

- Necessidade de gostar dos outros: exige de si mesmo que goste de todos os pacientes, se isso não ocorre se cobra.

- Afastamento: busca reter os pensamentos e sentimentos do paciente. Sente que se afasta emocionalmente do cliente na sessão.

- Impotência: questiona a sua competência. Sente que não sabe fazer nada. Eventualmente, sente vontade de desistir.

- Inibição dos objetivos: pensa que o paciente está o atrapalhando de alcançar seus objetivos. Sente está perdendo tempo.

- Autossacrifício: prioriza as necessidades do paciente em detrimento das suas próprias. Cobra-se de fazer seus clientes se sentirem melhor e se esforça excessivamente para isso.

- Inibição emocional: se sente frustrado por não poder ser ele mesmo e demonstrar seus sentimentos na sessão.

Essas são algumas formas que as emoções e crenças do psicólogo podem aparecer e impactar na terapia. Por isso, é importante que você compreenda que, muitas vezes, será necessário se permitir passar por um processo de terapia para reconhecer e reestruturar seus esquemas disfuncionais.

Além disso, o processo de terapia para o psicólogo pode ser muito valioso, pois reforça, cada vez mais, aquilo que, ao final, somos: humanos.

Gostou desse texto? 

Envie para algum colega que precisa ler isso! 

LEAHY, R. L. (2001). Overcoming resistance in cognitive therapy IN Leahy, R. L., Terapia do Esquema Emocional: Manual para o Terapeuta. Porto Alegre: Artmed, 2016.


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Terapia Cognitivo-Comportamental
  • Administrador
  • 09/09/2020

Conheça o Transtorno da Personalidade Narcisista

Pessoas que tem a necessidade de serem admiradas, são invejosas, arrogantes e pouco empáticas. Essas são apenas algumas das características desse transtorno que surge no início da vida adulta e se reflete nas diversas áreas da vida dos narcisistas.

O transtorno da personalidade narcisista consiste em um padrão de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia. 

O sujeito tem uma sensação grandiosa da sua própria importância. Ele vê de forma exagerada suas capacidades, conquistas e habilidades. Acredita que os outros o veem desta forma também. Costuma ser arrogante, subestima as conquistas alheias e espera ser reconhecido como superior pelos outros.

Ele se compara favoravelmente a pessoas famosas ou privilegiadas e tem uma preocupação com fantasias de sucesso ilimitado, poder, beleza ou amor ideal. 

O narcisista crê ser alguém superior, especial, único e espera ser reconhecido desta forma. Acredita que apenas indivíduos com condição superior ou especiais irão entendê-lo, sente que suas necessidades são especiais e buscam se associar a instituições que consideram perfeitas e especiais e realça sua autoestima com base nisso também. Busca ser atendido por profissionais de destaque nos mais diversos setores como beleza, saúde, finanças, jurídico etc.

A pessoa que tem este transtorno tem uma autoestima baixa e frágil. Ela tem a necessidade exagerada de admiração e atenção. Preocupa-se sobre como os outros a enxergam, busca elogios de forma sedutora e espera ser recebida nos locais com comemoração.

Devido ao sujeito acreditar que tem direitos, ele cria expectativas exageradas e irracionais, espera ser tratado de forma especial com deferência e caso isso não ocorra fica nervoso e impressionado. Como ele sente que tem mais direitos, acaba agindo se forma aproveitadora nas suas relações, se aproveita dos demais para alcançar seus objetivos. Estes devem ser concretizados ainda que custe muito a alguém. Acaba sendo aproveitador, suas relações acontecem com o propósito de ser beneficiado em algo ou para alimentar sua autoestima inflada.

Uma característica importante é a falta de empatia. Quem tem este transtorno tem dificuldade de reconhecer necessidades, desejos, sentimentos e experiências dos outros. Então fala excessivamente sobre si mesmo, é impaciente e frio em relação as questões dos outros, costuma minimizá-las e as enxerga como sinal fraqueza.

Inclusive, menospreza as contribuições dos outros, sente inveja e acredita ser invejado pelos outros e, frequentemente, age de forma arrogante e desrespeitosa com os demais.

O sujeito possui uma autoestima vulnerável diante de críticas, as quais fazem ele se sentir humilhado e então ele reage de forma hostil. É alguém que possui a crença de merecer privilégios, que tem uma excessiva necessidade de admiração e pouco sensível as questões alheias. 

Em relação as suas crenças, o narcisista tem crenças centrais relacionadas a ideia de que ele é superior, merecedor e perfeito. As crenças em relação aos demais são de que esses o admiram, são inferiores e insignificantes. Em razão disso, tem crenças intermediárias de que é especial então merece regras especiais e que deve. ter o melhor.

Por fim, o indivíduo que tem o Transtorno da Personalidade Narcisista é alguém que se enaltece, se considera acima dos outros e procuram a glória de qualquer forma.

A terapia ajuda a pessoa a reestruturar suas crenças distorcidas, perceber seu modo disfuncional de enfrentamento, desenvolver habilidades de afeto, aumentar a tolerância a frustração e melhorar o respeito e empatia pelos outros. 

A especialização em Terapia Cognitivo-Comportamental no CETCC auxilia no manejo deste e outros transtornos.


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Neuropsicologia
  • Administrador
  • 04/09/2020

NEUROPSICOLOGIA BASEADA EM EVIDÊNCIAS E OS DESAFIOS DO SÉCULO XXI:


Estado da Baviera, Alemanha, 5 de dezembro de 1901, na pequena Würsburg, a família Heisenberg comemorava o nascimento de um filho, Werner, que viria a se tornar um dos mais eminentes cientistas de sua época.

Werner Heisenberg, foi um físico teórico laureado com o Prêmio Nobel de Física de 1932 pela sua importantíssima contribuição na criação da mecânica quântica; a aplicação de suas descobertas teve enorme impacto no pensamento científico e mudou radicalmente a maneira como o homem passou a entender certos fenômenos.

Heisenberg trabalhou com muitos expoentes da ciência, entre eles Max Born e Pascual Jordan, com quem estabeleceu as bases da formulação matricial da mecânica quântica em 1925 e mais tarde, trabalhou com Niels Bohr em Copenhague. Extrapolou, em muito e brilhantemente, os limites da sua própria área do saber1.

Mas uma pergunta emerge neste momento. O que a física quântica tem a ver com neuropsicologia? A princípio pouco; de fato, o mais relevante nessa possível, porém remota, congruência é a contribuição de Heisenberg sobre a importância dos estudos realizados para além dos limites da sua própria ciência; ou seja, é exatamente nessa interface que se encontra um terreno bastante fértil onde novas descobertas e ampliação dos saberes existentes está sendo mais possível.

Um exemplo concreto dessa interface, a meu ver, reside na própria origem da psicologia, cujas raízes se encontram na filosofia. É certo que a filosofia é a matriz de todas as ciências, mas pelo fato de a ciência “psicologia” ser uma das mais modernas, é mais fácil estabelecer suas origens e história. 

Nela, no quarto final do século XIX, os primeiros psicólogos, dentre eles Wilhelm Wundt, estabeleceram a gênese de experimentos sistematizados nessa nova ciência. Já naquele período, a psicologia cunhava diferentes vertentes que floresciam cada uma a seu modo. Nesse cenário científico e filosófico, Sigmund Freud, em 1882, dava os primeiros passos na elaboração da sua Teoria Psicanalítica e nos primórdios do século XX, Ivan Pavlov, criava as bases para o behaviorismo, com seus experimentos sobre o condicionamento animal. Foi ao longo desse novo século que a psicologia floresceu, se solidificou como ciência e protagonizou a criação de várias correntes de pensamento2. 

Embora possamos entender que a psicologia, a exemplo de outras ciências, tenha suas raízes na filosofia, é fato que as áreas das ciências biológicas, flertou desde do início e com grande entusiasmo com essa nova e atraente ciência que tinha como objetivo a compreensão dos fenômenos, muitas vezes intangíveis, da psiquê humana, da natureza do pensamento e da compreensão do comportamento do indivíduo3; Pavlov foi um fisiologista e Freud um neurologista2.

Foi nessa interface entre os fenômenos subjetivos da mente humana e os objetivos da neuroanatomia e da neurofisiologia – comportamento e sua base neurobiológica - que a neuropsicologia despontou, num esforço necessário para que os psicólogos, psiquiatras, neurologistas e pesquisadores científicos pudessem estabelecer e entender a relação entre o comportamento humano e o cérebro e, finalmente, responder satisfatoriamente aos questionamentos que já eram forjados desde a antiguidade. 

Essa, até então, nova vertente da psicologia logo se tornou um importantíssimo instrumento para o subsídio dos diagnósticos diferenciais, bem como para orientação e tratamento em diversos processos de reabilitação; além, claro, instrumento de métrica nas áreas de pesquisa científica e acadêmica. 

A posição relevante da neuropsicologia para a ciência, só foi possível, graças ao ímpeto, como enfatizado por Heisenberg, de ir além dos limites da sua própria ciência. A neuropsicologia, segundo Pinheiro4, pode ser considerada uma ciência do século XX, embora com raízes fincadas em séculos anteriores. Foi então com o intuito de fornecer subsídios para uma melhor compreensão das mudanças e alterações comportamentais e cognitivas advindas de lesões cerebrais, que a neuropsicologia se tornou uma imprescindível área do saber e um valioso instrumento para se conhecer o funcionamento do cérebro no estado normal.

A evolução da ciência no século XX e nas primeiras duas décadas do século XXI foi sem precedentes na história. O conhecimento científico acumulado em séculos passados subsidiou o desenvolvimento de novos saberes que, muitas vezes, se materializaram em novas tecnologias e que, deste modo, subsidiou e tem subsidiado o vertiginoso crescimento da ciência nesse período.

No dinâmico contexto da ciência moderna, é imprescindível substanciar o olhar de Heisenberg e para isso, os limites de um determinado saber parecem não mais existir. Para a neuropsicologia, abordada de modo particular neste artigo, a incorporação de saberes até então distantes da formação acadêmica e da atuação profissional, é fundamental para que se obtenha um entendimento ímpar de cada estudo realizado e de cada caso avaliado.

O aprofundamento nos conceitos da neuroanatomia e da neurofisiologia, é imperativo. Não basta apenas conhecer de modo geral as estruturas encefálicas, é necessário saber qual sua cito e histoarquitetura; como se estabelece o neurodesenvolvimento, desde as primeiras etapas do processo de neurulação até a fase adulta e, não menos importante, como esse cérebro adulto envelhece; como se organizam e se conectam os tratos cerebrais e toda “circuitaria” subjacente; qual e como um determinado neurotransmissor atua em cada região do encéfalo e quais subsídios genéticos interferem nessa formação neurológica. 

Desse modo, é fundamental para o neuropsicólogo do século XXI que não se restrinja apenas a estudar e conhecer os constructos, as abordagens tradicionais e os instrumentos próprios da sua ciência. Deve, de fato ir além; saber, por exemplo, como a base genética, fatores gestacionais e ambientais, determinarão o curso do neurodesenvolvimento; como as alterações, muitas vezes sutis, nos fatores que determinam o curso natural de desenvolvimento do sistema nervoso poderá, com grande probabilidade, resultar em um padrão de mudanças comportamentais, de habilidades, de desempenho cognitivo e de uma performance muitas vezes desviante do esperado para a idade, condição sócio-econômica e nível educacional da pessoa.

Embora historicamente a psicologia, em oposição ao determinismo genético, tenha consolidado suas ideias na concepção geral de que o ambiente era o elemento definidor do comportamento, atualmente já é amplamente aceito, principalmente no meio acadêmico e científico, que aspectos da cognição e comportamento humanos são resultantes de uma interação da base genética e neurobiológica do indivíduo com experiências vividas no ambiente ao qual ele é exposto ao longo de sua vida. 

Esse entendimento fica bem claro ao analisarmos um importante e seminal artigo5; nesse documento, os autores constroem uma abordagem que parece apaziguar a longa batalha entre vertentes opostas, “nature” versus “nurture”. Cradock e Owen apresentam já nas primeiras páginas, uma solida fundamentação que sustenta o argumento de que as abordagens tradicionais e classificações psicopatológicas são inadequadas, principalmente ao olharmos para os recentes achados da genética. Diz os autores, ainda nas primeiras linhas do resumo introdutório:

“Estudos genéticos recentes reforçam a visão de que as abordagens atuais para o diagnóstico e classificação de importantes doenças psiquiátricas são inadequadas. Essas descobertas desafiam a distinção entre esquizofrenia e transtorno bipolar, e sugerem que mais atenção deve ser dada ao relacionamento entre as psicoses funcionais e distúrbios do neurodesenvolvimento, como o autismo.” (CRADOCK e OWEN, 2010, tradução nossa).

Cradock e Owen hipotetizaram um modelo complexo que de maneira inovadora e, talvez, visionária rompe as fronteiras estanques de saberes específicos sobre os transtornos mentais; integram, nesse modelo epistemológico, os segmentos intervenientes na constituição psicopatológica, de modo a construir um continuum bem metodizado que parte de variantes estruturais do DNA como determinantes da variação genética, seguindo dessa variação à constituição dos sistemas biológicos e módulos neurais, chegando finalmente aos domínios sintomatológico das síndromes psiquiátricas. Os autores vão além, esse modelo distribui horizontalmente, os gradientes do neurodesenvolvimento e afetivos em cada grupo das psicopatologias; estabelecem, uma relação estocástica em cada nível de modelo, apresentando profunda relação entre a genética e o comportamento.

O modelo apresentado por esses autores estabelece um intima relação entre a genética e a psicopatologia; entretanto, é importante visualizar os níveis intermediários desse cânone; ou seja, de quanto a própria genética influencia a constituição de um cérebro durante as várias etapas do neurodesenvolvimento e quanto essa influência pode resultar um cérebro mais ou menos propenso a um funcionamento sutilmente diferente.

Exemplo, dentre vários, dessa reflexão é a fase de sinaptogênese do neurodesenvolvimento. Tanto a formação quanto a manutenção de sinapses requerem um grande empenho biológico, com a produção em quantidade e qualidade adequada de neurotrofinas, que são proteínas que induzem o desenvolvimento e a sobrevivência, das conexões (sinapses) entre os neurônios; por serem proteínas, essas moléculas são o resultado da expressão dos genes. Importante ressaltar que esse importantíssimo mecanismo sinaptogênico se constitui no subsídio funcional da cognição humana e estará presente desde a fase intrauterina do neurodesenvolvimento até os processos funcionais da percepção, formação de memória e consequentemente da aprendizagem, durante toda a vida de uma pessoa.

De modo complementar, porém sob um ponto de vista mais sutil, é possível ilustrar essa linha de pensamento ao analisarmos três artigos6,7,8, que apresentam o papel da enzima Catecol O-Metiltransferase (COMT) na modulação da memória de trabalho e foco atencional.  A COMT é uma das enzimas que degrada catecolaminas, como a dopamina; essa enzima é expressa por um gene de mesmo nome (COMT), localizado no braço longo do cromossomo 22 (22q12). O alelo COMT apresenta um polimorfismo em uma região específica, códon 158 (val158met). O alelo Met está associado com baixa atividade da enzima COMT, com essa menor expressão enzimática, a dopamina terá uma ação mais duradora. Já o alelo Val se relaciona a uma maior atividade dessa enzima, o que faz com que a dopamina seja degradada mais rapidamente, permitindo que esse neurotransmissor atue por um menor tempo na fenda sináptica. Dependendo da combinação alélica de uma pessoa, haverá um desempenho diferente em tarefas de avaliação de memória de trabalho e níveis de ansiedade. O alelo Met está associado a um melhor desempenho em memória de trabalho, porém com níveis mais elevados no que se refere à ansiedade; o alelo Val, por sua vez, está associado com um pior desempenho nas tarefas que exijam memória de trabalho. Esses estudos fazem ainda uma relação bastante significativa entre as variantes desse alelo e transtornos psiquiátricos, como o TDAH.

Isto posto, é fácil perceber que alterações genéticas ou mesmo variações naturais poderão determinar a formação de cérebros com características peculiares, com manifestações nos aspectos cognitivos e comportamentais do sujeito. Refiro-me, também, às síndromes neuro genéticas – p.e. Williams-Beuren e Down -, cuja patofisiologia requer a compreensão e conhecimento das alterações genéticas, do neurodesenvolvimento e das manifestações comportamentais e cognitivas esperadas para cada síndrome, abarcadas no conceito de endofenótipo9,10. Outra dimensão nosológica onde essa percepção se apresenta de modo factível é a etiologia dos quadros demenciais. 

Entretanto, vale ressaltar que, em alguns transtornos mentais cujas manifestações comportamentais apresentam padrões menos evidentes, dificilmente serão percebidos de maneira clara por uma avaliação clínica. Recursos diagnósticos de métricas funcionais de grande sensibilidade e acurácia, para dar suporte a diagnósticos diferenciais ou de exclusão, serão necessários para o entendimento do quadro, principalmente no que se refere aos endofenótipos cognitivos e como as informações são conduzidas, processadas e as respostas adaptativas elaboradas; esses mecanismos são melhores e mais facilmente identificados por intermédio de avaliações neuropsicológicas. 

Deste modo, é imprescindível que os profissionais da saúde mental, em particular os psicólogos e os neuropsicólogos, elaborem a construção do entendimento sobre a importância dos conhecimentos de genética na constituição do seu arcabouço acadêmico para uma atuação profissional competentemente baseada em evidências.

Finalizo este texto, com as palavras de Heisenberg, que creio, tem norteado muitas linhas de pesquisas nos séculos XX e XXI, e que tem sido o animus novandi de importantes descobertas científicas.

“É bastante provável que na história do pensamento humano os descobrimentos mais fecundos ocorram, não raro, naqueles pontos onde convergem duas linhas diversas de pensamento. Essas linhas talvez possuam raízes em segmentos bastante distintos da cultura humana, em tempos diversos, em diferentes ambientes culturais ou em tradições religiosas distintas. Dessa forma, se realmente chegam a um ponto de encontro – isto é, se chegam a se relacionar mutuamente de tal forma que se verifique uma interação real-, podemos esperar novos e interessantes desenvolvimentos a partir dessa convergência.” Wener Heisenberg. (1901-1976)


Referencias:

1 – LEITE, Anderson; SIMON, Samuel. Werner Heisenberg e a Interpretação de Copenhague: a filosofia platônica e a consolidação da teoria quântica. Sci. stud.,  São Paulo ,  v. 8, n. 2, p. 213-241,  June  2010 .

2 - COLLIN, C. The Psychology Book. London: Dorling Kindersley. 2011.

3 - How does the APA define "psychology"?. Associação Americana de Psicologia. Psychology is the study of the mind and behavior. https://www.apa.org/support/about-apa#:~:text=How%20does%20the%20APA%20define,to%20care%20for%20the%20aged. Access in 2020/08/22.

4 - PINHEIRO, Marta. Aspectos históricos da neuropsicologia: subsídios para a formação de educadores. Educ. rev.,  Curitiba ,  n. 25, p. 175-196,  June  2005 . 

5 - CRADDOCK, N., & OWEN, M. J. (2010). The Kraepelinian dichotomy - going, going... but still not gone. The British journal of psychiatry : the journal of mental science, 196(2), 92–95.

6 - STEIN, D. J.; NEWMAN, T. K.; SAVITZ, J.; & RAMESAR, R. (2006) Warriors versus Worriers: the role of COMT gene variants. CNS Spectrum, 11, 745-748.

7 - DICKSON, D. & ELVEVAG, B. (2009). Genes, cognition and brain through a COMT lens. Neuroscience, 164, 72-87.

8 – CRADOCK, N.; OWEN M.J., O'DONOVAN M.C. The catechol-O-methyl transferase (COMT) gene as a candidate for psychiatric phenotypes: evidence and lessons. Molecular Psychiatry. 11 (5): 446–58. 2006

9 - MARTIN, Maria A. F. Orientações para promoção de saúde mental e qualidade de vida em pais e seus filhos com Síndrome de Williams [livro eletrônico] / Maria Aparecida Fernandes Martin, Maria Cristina Triguero Veloz Teixeira, Luiz Renato Rodrigues Carreiro. -- São Paulo : Memnon, 2014.

10 - BISHOP, D. V. M. & RUTTER, M (2009).Neurodevelopmenal disorders: conceptual issues. In M. Rutter, D. V. M. Bishopt, D. S. Pine, S. Scott, J. Stevenson, E. Taylor & A. Thapar (Orgs.) Rutter’s child and adolescent psychiatry (5a. ed., pp. 32-41). Oxford: Blacwell.


Sobre o autor

Marco Antonio Gomes Del’ Aquilla. BSc, MSc, PhD

Neurocientista, Mestre pelo Programa de Distúrbios do Desenvolvimento - UPM e Doutor pelo Programa de Psiquiatria e Psicologia Médica – EPM/UNIFESP. Pesquisador colaborador do Laboratório Interdisciplinar de Neurociências Clínicas e do Instituto Nacional de Psiquiatria do Desenvolvimento para Crianças e Adolescentes. Professor Titular da Universidade Paulista. Professor Convidado de Pós-graduação Lato e Stricto Sensu no Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental – CETCC; Fundação São Paulo; Núcleo de Formação Profissional em Psicopedagogia e Neuroaprendizagem.

Contato: delaquilla@yahoo.com

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TCC Focada na Criança e Adolescente
  • Ana Paula Moreira
  • 31/08/2020

Transtorno Bipolar na Infância e na Adolescência:

Transtorno Bipolar na Infância e na Adolescência: Tratamento na TCC

O Transtorno Bipolar é uma doença mental grave, crônica, recorrente e incapacitante. Ela é caracterizada por oscilações patológicas do humor, que envolvem episódios de Mania, Hipomania e Depressão.  Os critérios diagnósticos para crianças e adolescentes seguem os mesmo para os adultos. O transtorno bipolar(TB) se manifesta comumente na adolescência ou no início da vida adulta. No entanto, descrições clássicas e numerosos estudos de caso demonstraram a presença do transtorno na infância. A mania é um estado em que os indivíduos apresentam humor irritável, humor elevado, euforia, autoestima elevada, aumento desproporcional e elevado da energia e ou atividades. As brincadeiras podem ser inadequadas e excessivas, podendo ter também desinibição e hipersexualidade. Quando esses sintomas são leves e o indivíduo não se coloca em risco, considera-se o episódio como hipomania. Na fase da depressão, o humor é rebaixado, perda de interesse ou prazer, baixa autoestima, isolamento e sentimento de culpa. Pode haver também o estado de eutimia, ou seja, remissão sintomatológica, em que a doença não fica aparente. A literatura tem demonstrado a etiologia genética do TB, com estimativa de um peso de 80% para os fatores hereditariedade.  Quanto aos fatores psicossociais, estudos têm apontado que baixo nível socioeconômico, exposição a eventos negativos, pobre higiene do sono e irregularidade das rotinas diárias têm sido associadas ao aumento do risco de recaídas. A maioria dos casos de Transtorno Bipolar na Infância (TBAI), também preenche critérios para outros transtornos, como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), Transtorno de Conduta (TC) e Transtorno Opositivo Desafiador (TOD), bem como altas taxas de comorbidades com transtornos de ansiedade. A literatura aponta que deve-se ter muita atenção a fase de Desenvolvimento para considerar os sintomas que não são apropriados para a idade. Compreender o que é característico ou não em cada momento desenvolvimental é fundamental para o processo de diagnóstico.  No caso das crianças é esperado que apresentem mais flutuações e labilidade de humor e os adolescentes tenham maior reatividade às situações de estresse.  Quanto mais precoce mais severo, alta resistência a tratamento, elevado risco de abuso de substancia e suicidalidade, bem como prejuízos psicossociais. O baixo apoio social, o afastamento das pessoas, relações conflituosas, são comuns devido aos comportamentos impulsivos, agressivos e inadequados. O tratamento na Terapia Cognitivo-comportamental (TCC), inicia-se com a entrevista com os pais, escola, cuidadores, e professores de atividades extras. Os instrumentos para essa avaliação podem ser o formulário de coleta de informações da Padesky e Child Behavior Checklist (CBCL).  A presença de TB na família aumenta o risco da criança em 2 a 3 vezes para transtornos de humor, assim é essencial realizar um Genograma de três gerações para obter a história familiar de doenças psiquiátricas. Avaliação psiquiátrica é fundamental no tratamento de TBI e do Transtorno Bipolar na Adolescência (TBA), como também a avaliação neuropsicológica. Pois a literatura indica que assim como no TDAH, suspeita -se que no TB algumas crianças também tenham as áreas frontal e pré-frontal comprometidas, tendo maior impacto na atenção, na capacidade de planejamento e na flexibilidade cognitiva. 
Petersen, Wainer e cols. (2011), sugerem a estratégia FIND, para avaliar os critérios diagnósticos: F (frequency) – Frequência com que os sintomas ocorrem ao longo da semana; I (intensity) – Intensidade com que os sintomas causam extremos distúrbios e/ou moderada perturbação em dois ou mais domínios; N (number) – Número de vezes que o sintoma ocorre em um dia; D (duration) – Os sintomas ocorrem quatro ou mais horas em um mesmo dia, de forma contínua ou não. As intervenções ocorrem após as sessões de avaliação, em que o diagnóstico foi confirmado pelo psiquiatra e a criança ou o adolescente já estejam medicados. Umas das primícias para o tratamento para o TBI e para o TBA, é que eles estejam estabilizados, por isso a importância do uso da medicação. A intervenção começa pelas psicoeducações com o cliente e com a família, sobre a TCC, sobre o transtorno e sobre medicação. A separação da criança e do adolescente do transtorno é crucial, pois ficará explícito que a luta será contra o transtorno. Outra primícia para o tratamento é o envolvimento da família do início ao fim. Portanto, estabelecer e esclarecer os objetivos do tratamento deve ser feito na primeira sessão interventiva. Ancorada nessa primícia, todas a técnicas que apresentarei, faz necessário o envolvimento dos pais, e para tanto eles também serão psicoeducadas a respeito das mesmas. No tratamento dos episódios de mania, pode se começar pela técnica do diário do humor para o automonitoramento e planejamento do plano de tratamento para alcançar a regulação emocional. Para trabalhar o autocontrole e resolução de problemas, as técnicas do semáforo (pare e pense pelo menos em duas alternativas e siga), a Brainstorm (tempestade de ideias) e a Balança de Tomada de decisão (vantagens e desvantagens), são algumas possibilidades. Preciso ressaltar a importância de adaptar a linguagem à faixa etária. Nos episódios Depressivos, o protocolo Taking action (entrar em ação), é bem indicado. Os objetivos são: alcançar novas coisas para se sentir bem; centralizar no positivo; tentar pensar sobre soluções de problemas; inspecionar a situação; observar sua abertura para o positivo; nunca ficar paralisado pelos pensamentos negativos. Para estes fins, o terapeuta deve primeiramente trabalhar a psicoeducação, identificação e gatilhos das emoções, e assim criar estratégias de manejo das emoções; listar com o paciente coisas divertidas para fazer; e para reestruturação cognitiva, o terapeuta pode lançar mão do debate socrático, busca de evidências, registro de pensamentos disfuncionais (RPDs) e dos baralhos das distorções, como também dos Doze Truques Sujos. Como a família e a rede de apoio são primordiais no tratamento do TB, realizar a atividade da árvore de apoio social, ajuda a criança, o adolescente a identificar as pessoas com quem pode contar, inclusive os serviços que fazem parte da sua rede de apoio.  Pois por mais que familiares e amigos apoiem, as crenças de não aceitação, percepções distorcidas: “ninguém gosta de mim”; ninguém me entende”; “ninguém me dá atenção”, maiores níveis de autocrítica, estão presentes. Indico como referência bibliográfica para o manejo do TBAI e TBA, os livros: Terapias Cognitivo comportamentais para crianças e adolescentes, dos autores Petersen, Wainer e cols., 2011, e o Livro Previsão do Tempo: Entendo a Bipolaridade Infantil da Cartaxo, Vanina, 2018. 

Um grande abraço,

Ana Paula Moreira

CRP 06/105482

Psicóloga – Crianças e Adolescentes  

Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental 

Contato: 12-99231-3125

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