Dentre os psicólogos, é unânime a crença da soberania clínica em um processo de avaliação psicológica, e faz-se cada vez mais necessário reconhecer a contribuição que o raciocínio neuropsicológico oferece na compreensão das diferentes demandas clínicas, e, portanto, indispensável ser incluído nos processos de avaliação. 

A Neuropsicologia é uma ciência interdisciplinar, e um de seus objetivos na prática clínica é contribuir na compreensão de como determinada condição patológica afeta o comportamento do paciente, seus recursos cognitivos e, consequentemente, seu engajamento em estratégias de terapia.

Ela trouxe um leque de possibilidades em técnicas e instrumentos padronizados que auxiliam o psicólogo de forma mais rápida e assertiva, na investigação do funcionamento neuropsicológico de seus pacientes, por meio de um exame específico das funções cognitivas.

A Neuropsicologia tem por objeto o estudo das relações entre as funções do sistema nervoso e o comportamento humano. Ela também nos possibilita realizar um exame pormenorizado das alterações que surgem nos casos de lesões cerebrais locais, assim como as maneiras pelas quais os processos psicológicos são alterados por essas lesões (Luria, 1966).

O Neuropsicólogo é um profissional especializado para avaliação e/ou reabilitação neuropsicológica, que se utiliza de diferentes instrumentos, métodos e técnicas para investigar tanto o funcionamento normal como possíveis alterações e disfunções do sistema nervoso. Frequentemente, atua no âmbito da pesquisa e da prática clínica, com foco na investigação e tratamento. 

 

Alguns objetivos da avaliação neuropsicológica que põem beneficiar o trabalho do psicoterapeuta: 

- Avaliar disfunções cognitivas secundárias a alterações no SNC; 

- Avaliar minuciosamente o perfil neuropsicológico do paciente, evidenciando suas facilidades e dificuldades;

- Determinar se as alterações estão associadas a doenças neurológicas e/ou psiquiátricas ou não;

- Avaliar aspectos da personalidade, relacionando-os aos achados neuropsicológicos;

- Relacionar as queixas e dificuldades diárias através dos resultados quantitativos e qualitativos dos testes;

- Avaliar as alterações através do tempo e desenvolver um prognóstico;

- Identificar transtornos do desenvolvimento na infância;

- Monitorar alterações cognitivas ao longo do tempo (p. ex., acompanhamento longitudinal de pacientes com comprometimento cognitivo leve);

- Monitoramento da cognição e do comportamento de um paciente que será submetido a um tratamento médico (p. ex., neurocirurgia ou farmacoterapia);

- Avaliação das condições de um paciente para gerir sua própria vida de forma independente, mesmo fora do contexto médico-legal;

- Avaliar pessoas que atuam em determinados ramos profissionais que envolvem risco de comprometimento cognitivo, como praticantes de diversas modalidades esportivas que apresentam risco elevado pra concussões.


Os dados coletados no processo da avaliação fornecem informações sobre o follow up do quadro e do tratamento, prognóstico; reabilitação; orientação para o relacionamento com o paciente; orientação aos cuidadores e aos profissionais.

Vários são os eventos que podem ocorrer no Sistema Nervoso Central (SNC) que demandam a avalição neuropsicológica: 

TCES

- Tumores cerebrais 

- Epilepsias 

- Acidentes vasculares encefálicos

- Demências 

- Distúrbios tóxicos 

- Distúrbios metabólicos 

- Deficiências vitamínicas 

- Pré e pós-cirurgias 

- Neuroinfecções


Acrescenta-se aos eventos acima citados, as condições em que os recursos cognitivos e adaptativos do indivíduo não são suficientes para a prática acadêmica, profissional ou social e, consequentemente geram prejuízos nas funções diárias: 

- Indivíduos que apresentem forma de organização das funções mentais diferente da habitual, incluindo condições psiquiátricas. 

- Transtornos específicos ou globais do desenvolvimento. 

- Deficiências intelectuais.


Considerando os dados expostos, ficam evidentes os desafios enfrentados pelo psicólogo em sua prática clínica que exigem mais do que a mera observação, mas uma análise minuciosa das funções cognitivas (inteligência, memória, atenção, linguagem, funções executivas, raciocínio, habilidades acadêmicas, motricidade, percepção, visuoconstrução, bem como os aspectos do humor, da personalidade e do comportamento). E neste sentido, a avaliação neuropsicológica dispõe de inúmeros instrumentos que possibilitam uma condução mais rigorosa da análise mediante uma bateria sistematizada, dividida nas seguintes categorias: 


- Testes psicométricos (quantitativos); 

-        Testes neuropsicológicos (quantitativos e qualitativos); 

- Testes de personalidade (projetivos); 

- Escalas de avaliação do humor; 

- Testes ecológicos que explicam como e por que ocorrem dificuldades e facilidades na execução. Os instrumentos ecológicos são tarefas que simulam situações diárias de demanda cognitiva e avaliam as habilidades e dificuldades dentro dos ambientes mais comuns ao indivíduo como a família e a escola.


O conjunto dos instrumentos utilizados permite ao psicólogo elaborar e organizar, de forma concreta, os dados diagnósticos, possibilitando uma avaliação global das capacidades e dificuldades do indivíduo, bem como das adversidades encontradas por ele no dia a dia, contribuindo assim para uma intervenção terapêutica mais eficiente, assertiva e de maior engajamento. 

Autoras:

Camila De Masi Teixeira 
Coordenadora do Núcleo de Neuropsicologia do CETCC
Neuropsicóloga, Terapeuta Cognitivo Comportamental.
Especialista em Distúrbios do Sono.
Mestre em Ciências 
camilademasi@gmail.com

Taciana M. Silva
Assistente do Núcleo de Neuropsicologia do CETCC
Neuropsicóloga.
camilademasi@gmail.com